Se soubesse ao certo Onde deve cair A estrela cadente Que risca o céu Deixando o brilho Das outras estrelas Tão estáticas Numa vitrine Iria buscar No pouso Esse olhar De outro mundo Mundo de sonhos
De que lugar vem Que não abandona No vento aterrissa A folha ainda verde Será que basta pousar Virar misturar no chão E sentir nos pés o desejo O que não esqueço Tenho a dor da saudade Como estrela amiga Desse deserto escolho Numa constelação Um silêncio na boca
Meus pais me ensinaram Que não existe moleza Nem preguiça na vida Que tudo vem Da semente Que nasce No pensamento Jorrando nas palavras Vem o caminho Que se torna Uma árvore Na busca sempre Raízes e frutos
Depois de um tempo A erosão ferrugem Sabem a diferença Como o marisco nas pedras Tem que desgarrar Sentir o vôo O mergulho A gaivota celebra O peixe entre as ondas Tem um olhar Onde vem A brisa do amor
É no pomar da vida Que vem a forma De amar além Das fronteiras E superfície Ilusão De águas paradas E correntezas furtivas Tornando a margem A ilha mais próxima E cada encontro Tem o sabor da fruta Que se apresenta E une o coração Muitas vidas
Como alguém É capaz De tocar As estrelas Ser o mar E no sentimento Ondas Como alguém Consegue Atingir O infinito De que somos feitos Poeira no tempo Viramos pegadas Como alguém